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PIPOCA DAS BOAS

Julianne Moore

Ontem teve pré-estreia do filme “Direito de Amar” (tradução chata para “A Single Man”), primeiro longa de Tom Ford. A noite fez parte das comemorações do aniversário de 10 anos do site Chic, de Gloria Kalil.

Para começar, foi gostoso ir ao cinema com mais uns 200 amigos. E depois, esse era um filme que eu queria muito ver.

Engraçado, é bem diferente do que eu imaginava, mas muito bom. Colin Firth, que ganhou como Melhor Ator em Veneza, realmente tem uma atuação ótima. Contida e cheia de sutilezas e silêncios. Muitas vezes é o seu olhar que nos faz entender tudo. Julianne Moore também está ótima, como a (lindíssima) cinquentona em crise, com postura lânguida, sempre um pouco chapada.

Colin Firth

Como é de se esperar de um diretor que tem uma relação tão forte com a estética, tudo no filme é lindo. Partindo dos atores: Moore é linda demais da conta; Nicholas Hoult, que faz o papel de um aluno de Firth, só pode ter saído de alguma campanha da Gucci que Ford fez com ele tempos atrás (na verdade é um jovem ator inglês com alguns filmes no currículo). E a modelo brasileira Aline Webber, que faz uma participação no filme, está mais bonita do que nunca, coisa que a câmera aproveita muito bem, com closes de seu rosto perfeito a la Brigitte Bardot.

Aline Webber e Nicholas Hoult

A direção de arte é impecável, tudo milimetricamente posicionado em uma beleza arquitetônica que pontua todo o filme. Os ângulos, os objetos, os móveis, as cores. Não tem nada fora de lugar, o que também traz a sensação de um lugar que não existe de tão perfeito, limpo, lindo. A mesma coisa acontece com o figurino criado por Arianne Phillips (stylist das turnês de Madonna e de filmes como “Johnny & June”, que ganhou o Oscar de melhor figurino). São impecáveis e gostosos de observar. Resumindo, a perfeição extrema acaba por distanciar um pouco o espectador, mas funciona na tela.

NOTITAS DA TEMPORADA

desfile Rochas

CHEIRO

A Commes des Garçon lança em maio duas fragrâncias, uma floral para mulheres e outra mais suave, infantil. É a primeira vez que a marca lança um perfume para crianças. O lançamento aconteceu essa semana na l´Eclaireur, em Paris.

GIROS

Burberry, Prada e Marc Jacobs olharam para trás, para o acervo das marcas e suas trajetórias criativas dentro das empresas. Gareth Pugh olha pro futuro, Rochas para os 60´s, Dries Van Noten para a década de 50, só para mencionar os primeiros nomes que m vêm à mente agora. Fashion is all around.

ESCOLA

A LVMH (Louis Vuitton Moet Henessy) e a Parson School for Design se uniram para criar um projeto que vai beneficiar estudantes de moda. “The Art of Craftsmanship Revisited: New York” começou no final do ano passado, quando 23 grupos de jovens receberam a tarefa de trabalharem com outros assuntos, diferentes das matérias que escolheram ao entrar na faculdade para criarem uma peça original, para depois realizarem um documentário de moda. Para ajuda-los a explorar áreas menos familiares, os organizadores chamaram artistas e artesãos especializados em cerâmica, móveis, molduras e vidreiro, por exemplo. A ideia é voltar a atenção para peças artesanais, que exigem um talento real e uma dedicação intensa para dar certo.

COMPRA E VENDA

O conglomerado PPR (dono do Gucci Group) anunciou que vai fazer novas aquisições enquanto também planeja vender algumas de suas empresas, como a Fnac. François Pinault, CEO do grupo, já avisou que não vai vender com desconto e já imagina que vá demorar até uns três anos para concretizar as negociações. O grupo quer focar no segmento de luxo. Segundo Robert Polet, chefe-executivo do Grupo Gucci, só agora a marca Alexander McQueen está conseguindo chegar perto do “break-even”. Tá vendo? Não é marmelada, nã…

 

Robert Duffy e Marc Jacobs, nos anos 80 e nos anos 2000

A vida de Robert Duffy, presidente da Marc Jacobs International, mudou depois que ele começou a usar o twitter. Ele deu uma entrevista recente ao site The Business of Fashion em que conta suas primeiras trapalhadas aprendendo a usar a ferramenta e revela como o twitter pode ajudar no mkt de uma empresa. Leia alguns trechos:

1 – O que fez você começar a twitar?

O Daniel, que cuida do nosso site, me perguntou se nós poderíamos transmitir o desfile ao vivo e eu disse sim. Depois ele perguntou: “nós podemos twittar isso?”. Eu nem sabia o que era isso. Ele pediu para que um de nossos amigos famosos ficasse responsável pelo twitter até o dia do desfile e eu disse: “absolutamente não. Quem é que vai fazer isso por duas semanas?”.Então ele me explicou que se a gente quisesse que fosse de verdade, só existiam duas pessoas para fazer isso: eu ou o próprio Marc. Foi assim que começou.

2 – As pessoas tedão muito feedback via Twitter. Você pensa em usar a ferramenta como um meio de comunicação com o consumidor da marca?

Sim, com certeza! Eu olho todos os dias, até quando estou na bicicleta ergométrica. Gosto do fato de as pessoas se sentirem conectadas com a marca. Tem umas coisas muito legais que acontecem. Uns meninos que nos seguem queriam fazer uma história, mas não tinham dinheiro algum, então eu os direcionei para alguém que possa ajuda-los. O sonho de um cliente de outro país era ter uma coisa que não podia, então nós enviamos para ele.

 

3 – O que o Marc acha do Twitter?

Ele usou o Twitter uma vez, acho que por um dia e meio.Mas acho que ele gosta.

4 – Você disse que vai parar de twittar agora que o desfile já passou. Quem vai te substituir?

Vou pedir para alguém que está sempre comigo, talvez um dos meus assistentes. Eu tenho que cuidar da empresa e estou sempre muito ocupado. Acordo 5h30 todas as manhãs para dar tempo de fazer tudo.

5 – O que você aprendeu nessas semanas twittando?

Vi que há uma garotada querendo conselhos sobre como dirigir uma empresa e também tem muita gente que não entende como é difícil fazer um negócio dar certo. Eu explico que eu e Marc tivemos muito, mas muito trabalho. Estamos no mercado há 26 anos e até o ano 20 não fizemos nada de dinheiro. 

6 – Por que você achou esses recados de estudantes tão inspiradores?

Porque eu já passei por isso. E eu não quero que eles desistam, mas posso sentir como eles estão sem coragem. E eu sei que se eu e o Marc não estivéssemos juntos nessa história, nós provavelmente teríamos desistido também.

E eu quero falar: não desistam! Arrume um jeito de fazer o que querem. Eu arrumei um jeito e Marc também. Mas não faça para ficar famoso ou porque é fácil porque não é nada fácil. Nós começamos em 84. Quando as pessoas começaram a falar da gente? 2000? Entende o que eu falo? Faça o que você gosta porque no final vai te dar mais satisfação.

INCONSCIENTE COLETIVO

Desfiles da Maria Bonita, apresentado em janeiro na SPFW, e desfile da Jil Sander, semana passada, na semana de moda de Milão. Ambas as grifes trabalharam com os quadrados recortados, com pequenos orifícios que revelam a pele por baixo da roupa.

É DÉBITO OU CRÉDITO?

Quantas vezes por dia a gente ouve essa pergunta?

Senhores gerentes, diretores e donos de lojas, restaurantes, postos, por favor, expliquem aos seus funcionários que cartões de crédito vêm com a bandeira da empresa, como Visa, Master, etc, que por sua vez não aparece nos cartões de débitos. É só olhar. Tudo bem que vivemos em um país com educação ineficiente, muitas pessoas/trabalhadores não têm acesso a informação ou não sabem de algo até que alguém as ensine. Mas até na loja da Nespresso a vendedora perguntou, então não sei se é falta de informação, preguiça ou burrice mesmo.

Doutzen Kroes no desfile da Prada

Tanto tem se falado na magreza extrema das modelos, que a Prada, como sempre, saiu na frente. Escalou para  casting modelos “gongadas” das passarelas, como Lara Stone e Doutzen Kroes. Alessandra Ambrosio também estava no casting. Ela nunca foi considerada “gorda”, mas sua imagem é vista como saudável e exuberante, o que já é uma grande mudança para os padrões estéticos da Prada.

Alessandra Ambrósio na Prada

Lara Stone, que esteve em SP desfilando para a Forum, tem seios grandes e cintura marcada, mas não sei de onde tiraram a ideia de que ela é gorda (lembrando que gorda na moda tem praticamente um outro significado). Eu estive com ela e vi que tem um corpo ótimo, mas ela já teve vários problemas por ser “curvy”, que trouxeram ainda outros problemas, como remédios, alcool, baixa auto-estima, etc.

E a Doutzen? Perto das outras ela até que é mais cheinha. Uma das garotas propaganda da L’Oreal, ela disse uma vez que já desistiu de ser modelo “fashion” por causa de suas curvas e aposta mesmo nos trabalhos publicitários.

Lara Stone desfila para Prada

Na vida real sabe-se que mulheres consideradas “de verdade” são muito mais apreciadas. Na moda, o papel delas ainda é servir como um cabide para as criações dos estilistas. Muita informação, como peitos ou quadris salientes, podem distorcer a imagem que o designer quer passar. Mas como as modelos hoje são tratadas como estrelas, há uma disputa velada entre a roupa e o corpo da mulher que a desfila.

WINDOW SHOPPING

Lanvin

Quem resiste a uma bela vitrine?

Pois agora, existe um site especializado no assunto, que vai mostrar as vitrines mais legais do momento em diversos lugares do mundo.

Idealizado pela dupla André Faria e Keka Morelle, que assina as campanhas do Pense Moda, o Vitrine Voyeur conta com fotógrafos em SP, Rio, Londres, Nova York e Paris, que batem perna sempre de olho nas propostas mais inusitadas das lojas.

Bergdorf Goodman

A idéia surgiu de uma paixão pessoal por vitrines criativas. “É um canal de comunicação tão forte que muitas vezes vira até ponto turístico. É um desafio para quem cria e um entretenimento para quem vê”, explicam. O projeto também partiu de uma percepção de que não existia um lugar para conhecer e avaliar as vitrines do mundo. “A proposta do site é inspirar e informar”.

H.Stern

www.vitrinevoyeur.com

CRIS AFLALO

Cris Aflalo é uma amiga minha de longa data, daquelas que já são amigas da família inteira. Ela também é uma cantora talentosíssima e faz parte dessa geração de jovens intérpretes que surgiu e tem ocupado um bom espaço no universo da música brasileira.

Eu já tinha falado aqui da Tiê, agora vai a dica para conhecerem a Cris. Ela faz show no Tom Jazz, nos dias 26 e 27 de fevereiro (meu niver!). Ou então outra opção é conhecer o myspace dela, que está recheado de belas músicas e imagens.

CRIS AFLALO

26 e 27.02

Tom Jazz - Av. Angélica, 2.331, Higienópolis

O site style.com está fazendo uma série de entrevistas para discutir questões atuais da moda e seus próximos caminhos. Hoje eu li a entrevista com Cathy Horyn, editora de moda do “New York Times” e de seu blog, o “On the Runway”, conhecida por suas críticas ácidas durante os desfiles. Alguns estilistas a detestam tanto que até preferem quando ela não vai ao show ou então falam que ela é infeliz, mal amada, etc, aquela velha história que teima em não evoluir.

Eu acompanho Cathy porque acho ela muito inteligente, uma pessoa que vale a pena ser lida por suas opiniões claras e fortes. Aqui vai um teaser da entrevista, mas quem tiver facilidade com inglês, vale a pena ler tudo.

Hoje tudo é muito rápido. Como crítica de moda, você gostaria de ter mais tempo para pensar sobre determinadas coleções antes de escrever?

Sim. Sempre quando, no dia seguinte, eu me preparo para escrever no meu blog, eu vejo que poderia mudar um pouco a minha opinião, adicionar alguma coisa a mais ao meu texto. Um blog pessoal permite que você elabore mais, volte ao desfile. Em alguns casos vale a pena a ir ao showroom, tocar as roupas. Você não muda sua opinião completamente, mas a expande e ganha mais munição para argumentar com um desfile foi bom ou ruim.

Quando pensamos sobre as mudanças na indústria da moda, pensamos na ascensão da fast fashion. Como isso afetou o quadro?

Toda a noção de modelagem, que é a engenharia das roupas, perdeu-se nessa questão. A maioria das pessoas não tem nem ideia do que isso significa. Muita coisa na moda hoje tem stretch. Você veste rapidamente, coloca leggings… Então há muita gente que não liga ou não dá muito para coisas realmente bonitas. Todos querem peças que sejam simples o suficiente para usarem durante o dia ou no jantar com o marido. Talvez elas queiram uma boa bolsa ou um bom casaco. Mas esses desejos mais básicos não são bons para a inovação. Aliás, eles vão contra isso. Aí, as empresas que trabalham com inovação, como Balenciaga ou Prada, são copiadas instantaneamente pela Topshop ou qualquer outra loja.

Isso está matando a alta moda?

Acho que o que está matando tudo, agora que a economia está machucada, é que há muita gente dizendo “eu não preciso disso”, “não tenho dinheiro, não quero, não preciso, não posso gastar tudo isso”.

Você vê alguma coisa de positivo na febre da fast fashion?

Eu tento. Certamente gera empregos para pessoas em muitos países. Mas claro que também traz muito stress para o planeta. Muito consumo de materiais poluentes, por exemplo. A moda é uma grande poluidora. Todos os tratamentos, os tecidos com materiais diferentes feitos para esticar, esquentar, esfriar… Tudo isso faz mal para o planeta e para o seu corpo. A gente fala de garrafa de plástico, mas e toda essa química usada nas roupas? O seu corpo também acaba absorvendo isso.

Os desfiles ainda são válidos?

Acho que sim. Em uma conversa com Nick Knight sobre o futuro das revistas, desfiles e de muitas coisas, chegamos a conclusão de que ainda é o melhor meio para mostrar as roupas. Nomes como Alexander McQueen poderia fazer um supershow direcionado para a internet e as pessoas já estão fazendo isso. McQueen e Nick criaram algo muito especial para a internet, então você tem esse projeto incrível, que parece ser feito para as pessoas que estão na web. Muitos bloggers estão sendo aceitos agora e pessoas que não são profissionais também podem participar. Se um estilista pode fazer um desfile com o potencial criativo de um McQueen ou Marc Jacobs, então é válido.

* Essa entrevista aconteceu antes da morte do McQueen.

Você acha que há muitos desfiles na programação?

Você tem que ser seletiva. seria incrível poder fazer a cobertura de Milão e Paris somente pelos showrooms. Eu iria a um ou dois desfiles, aqueles que há razão para estar lá mesmo. Agora não há porque ir a muitos dos desfiles, então alguns eu marco hora no showroom. Já fui ao da Prada, Comme des Garçons, Balenciaga e sempre penso que é tão mais interessante escrever sobre roupas longe da passarela. É uma forma de focar nas coisas que são interessantes e ve-las de uma forma que o show não permite.

Estilistas encaram muitas exigências hoje, sejam comerciais ou criativas e têm que lançar muitas coleções por ano. você acha possível viver sob essa pressão?

Pode ser. Olhe para Lagerfeld. Ele sofre muita pressão, mas sua mais recente coleção de alta-costura foi maravilhosa. Mas há tantas grifes e empresas hoje que você olha e pergunta como elas irão sobreviver. O quanto ainda de negócios elas ainda conseguem fazer? Muitas das grifes mais antigas têm se esforçado, mas se perderam no meio do caminho ou não se adaptaram ou ficaram preguiçosos ou se envolveram com os parceiros errados. Mas você vê outras grifes, como Alexander Wang, que faz algo que você realmente que ver.

PULANDO O CARNAVAL

Como faço todos os anos, estou literalmente pulando o Carnaval em vez de pular no Carnaval.

Filhota foi pra praia; marido e eu ficamos, dividindo o feriado entre momentos de trabalho e descanço, que inclue horas fotografando ou sentada no computador, mas também piscina e jantar com amigos no Carlota, meu preferido no bairro. E ainda vou ver a mostra dos grafiteiros no Masp, último dia hoje, e alguns filmitos.

E dormir, tomar café da manhã na cama, continuar minha leitura tardia dos Cem Anos de Solidão, que estou amando, respirar, ficar sem fazer nada, me preparar pra semana que vem que vai ser pauleira.

Pra quem foi e pra quem ficou, na cama ou na gandaia, no porre ou na saúde… bom feriado!

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