O PAVILHÃO DO VAZIO, ANTES QUE FIQUE MUITO TARDE…
Dec 2nd, 2009 by camiyahn
Tarde já ficou, né, mas deixa eu falar logo do Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza.
Fiquei decepcionada, para não dizer envergonhada, quando entrei no espaço brasileiro dentro da Bienal. O curador é Ivo Mesquita, o mesmo da Bienal do Vazio. Coincidência ou não, em Veneza, o pavilhão do nosso país também era vazio e inexpressivo.
Só para quem não conhece poder acompanhar: A Bienal de Veneza tem dois espaços: o Arsenale, em que mostra obras de artistas do mundo inteiro, e o Giardini, onde ficam os pavilhões de arte de diversos países. Esse chamados pavilhões, que são casas dipostas quase lado a lado, são fixos, por exemplo: o da Rússia e o da Venezuela ficam logo perto da entrada; o do Brasil fica lá para trás perto de Grécia e Egito. Todo evento, eles estão no mesmo lugar. Alguns são maiores, outros menores, mas o que conta é a ideia, a obra e a apresentação.
Infelizmente, no do Brasil, não havia nada disso. Apenas dois artistas estavam expondo: o Luis Braga e o Delson Uchoa. Mas o descaso, a falta de cuidado e de estrutura fez com que as obras deles, que dentro de um evento desse tamanho também não tinham muita represnetatividade, parecessem jogadas às moscas. Não havia um projeto de exposição, uma iluminação legal, um panfleto que seja que explicasse quem são eles e comentasse sobre as obras… As paredes estavam sujas, os paineis de Uchoa simplesmente e toscamente pendurados em um preguinho.
Acabamento zero, o chão cheio de folha seca e velha. Os outros pavilhões tinham uma bancada onde o representante de cada país passa o dia, com um computador, e ao lado, livros sobre os artistas que estão expondo, assim o visitante pode saber mais sobre ele. Também sempre tinha um catálogo das obras à mostra, enfim… Informações extra para nortear o público que vem de centenas de países conferir os próximos rumos da arte contemporânea.

obra de uchoa, pendurada de qualquer jeito e parede suja
Até a brasileira que cuidava do Pavilhão me confidenciou que ele estava caindo aos pedaços mesmo, que ninguém queria bancar o envio das obras nem o seguro. Ninguém tinha dinheiro e por isso estava tudo sem manutenção e sem projeto. Para a gente, ela entrou numa portinha escondida e deu um papel sobre a exposição, mas só porque a gente perguntou. Os outros milhares de visitantes ficaram sem saber de nada mesmo. Eu li uma matéria que contou que quase que o Pavilhão fica vazio mesmo, mas um esforço da Bienal de São Paulo permitiu que as obras fossem enviadas. No mesmo artigo, diz que o espaço foi reformado, devido às condições impossíveis em que se encontarava para receber uma exposição.
Eu imagino a politicagem e a burocracia que deve ser para curar um pavilhão em um evento desse porte. Mas eu conheço ao menos três pessoas que poderiam lotar aquela casa com muita vida e fazer bonito, mantendo o Brasil no lugar que ele merece no campo das artes.
Não à toa, a obra que o curador da Mostra escolheu para abrir a Bienal no Arsenale, é uma deslumbrante instalação de Lygia Pape (1927 - 2004), feita com fios de ouro e exposta em um ambiente escuro e impecavelmente iluminado (abaixo).


