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foto de miro
“SERAFINA”, matéria da capa (Pérolas Negras) e edição com Alcino Leite Neto do especial de Moda
Entre os trabalhos mais legais, estão a colaboração com a “Serafina” e com os especiais de Moda, da Folha. Trabalho com equipes de primeira, lideradas por Lulie Macedo e Alcino Leite Neto, e sempre aprendo muito com eles. Nesta edição, escolhemos as cinco modelos negras mais lindas, que contam um pouco de sua trajetória e de seus sonhos para a gente. Na Moda, tem o especial do Verão 2010, escrito pela Vivian Whiteman; dicas de moda em Londres, Milão e Buenos Aires, entrevista com o Judy Blame e um belo editorial do Alcino sobre a beleza brasileira, entre outras coisas.


foto de bob wolfenson
“MAG BETHY LAGARDÈRE”, editora adjunta convidada, ao lado do editor Eduardo Logullo, do editor-assistente Marcos Guinoza e da diretora de arte Graziela Peres
Especial que vem encartado na edição “Paixão”, da Mag, que por sinal, está muito boa. Outro trabalho em que me diverti muito fazendo. O escritório da Gra, na Vila Madalena, é uma delícia, com direito a cantos de passarinho e tudo. Fora que conheci mais sobre Bethy Lagardère e dei muita risada com as frases dela que pontuam a revista inteira. Entre as minhas preferidas estão:

1) “Hoje em dia busco mais conforto. Para a noite sempre procurei algo um pouco mais extravagante, porque convivendo com os estilistas, presenciei como era difícil criar um modelo luxuoso e diferente. Então eu tinha tendências a me extravasar através da roupa. E como eu tinha um marido maravilhosamente bom e compreensivo, eu usava.”

2) ) “De uma coisa eu tinha consciência: o criador tem o poder de elaborar as roupas, de enriquecer o seu cotidiano, de te deixar bela. Mas na hora que você entra na passarela, ele perde o controle. A partir daí, você é a responsável por tudo o que ele fez. Se não transmitir emoção às pessoas que estão te olhando, você acaba completamente com a criação do estilista.”

3) “Por que aqueles que atravessam a porta de uma churrascaria têm a necessidade de achar sushi? É problema do dono ou da clientela? Será que ele tem que ter de tudo? Será que ele não pode simplesmente dizer: ‘eu tenho um restaurante tipicamente brasileiro e é a minha carne que eu vou servir.’”

4) “Uma vez eu perguntei para uns amigos o que eles achavam das mulheres que faziam intervenções estéticas e ficavam deformadas. Todos eles admitiram que detestavam, no entanto, todas as esposas deles faziam isso. Porque tem algumas que realmente se deformaram.”

5) “’Reality show’ é uma coisa lamentável, sem pudor. Pode ser engraçado por um ou dois dias… Três meses, por favor! É não ter outra coisa pra fazer.”

6) ) “Em Paris você põe um sapato alto e vai andar. Você atravessa a Plaza da Concorde em cima de 12 cm alegremente. Não há condições de fazer isso no Brasil. Primeiro porque na Europa nós temos calçadas e no Brasil não temos, né? Diga-se de passagem, para qualquer governador de qualquer estado – principalmente do Rio de Janeiro. Eu não sei como a indústria brasileira de salto alto e de sapatos sobrevive…”

7) “Na França você vai a um casamento, e quando ele é muito, muito importante, tem 200, 300 pessoas. No Brasil, tem duas mil!”


“SPOT”, edição e texto junto a Marcos Guinoza
Todo jornalista gostaria de ter uma “Spot” na mão. É uma revista customizada da Eberle Botões, que pertence ao Grupo Mundial, o mesmo da Impala. O Guinoza e eu pensamos nas pautas, trabalhamos com uma liberdade considerável, como vocês podem percereber pela capa, que dá destaque ao trabalho do estilista Martin Margiela. Tem muita matéria legal, dessas que a gente não vê em nenhuma revista de banca. Tem Ryan McGinley, Charlie Kaufman, NYC Against HIV, o ótimo site Advanced Style e ainda matérias sobre a Islândia, Daspu e muito mais.

AS 5 + DO BEIRUT

Beirut é a banda de Zach Condon (acima), projeto de um homem só, já que os outros músicos são colaboradores e aparecem especialmente nos shows. O som do Beirut é ótimo e, para mim, traz uma sonoridade diferente, uma mistura inusitada. É meio gypsie, meio circense. Dois álbuns dele foram inspirados na música dos Balcãs, “Gulag Orkestar” e “Lon Gisland”.

E, por incrível que pareça, uma de suas músicas, “Elephant Gun”, foi tema da minissérie “Capitu”, exibida pela Globo e chegou ao 2º lugar das mais procuradas em sites brasileiros. Alguém lá na Globo está bem esperto, hein?

“Elephant Gun” (Lon Gisland)
“No Dice” (Realpeople Holland)
“Bradenburg” (Gulag Orkestar)
“The Concubine” (Realpeople Holland)
“La Llorona” (March of the Zapotec)

A coreógrafa alemã Pina Bausch morreu, aos 68 anos, de câncer no pulmão.

DO JOURNAL PARA CÁ


trabalho de jack mugler

Vi no “Journal”, a publicação diária da SPFW (distribuida somente durante o evento), os trabalhos de Jack Mugler e Lucas Rehmann (ai, meu Deus, depois de tantos anos eu ainda não sei como escreve o sobre nome da Erika…). Jack é persona da noite, animador e agitador das festas mais fervidas. Tem um trabalho super pop, que consiste em colagens de desenhos, fotos e figuras que já foram publicadas.


ilus do lucas

Lucas é filho da Palomino, um menino que vi crescer de perto durante alguns anos e de quem sou fã. Nunca esqueço uma redação sua que li. Acho que ele tinha uns 12 anos, sei lá, mas era tão forte e profunda para alguém da idade dele. Luc é um ótimo DJ e um ilustrador talentoso. Os traços são finos, a escolha das cores sempre de bom gosto.

Taí uma breve amostra de mais gente nova que chega chegando.

O maior ícone pop do mundo se foi. Estou em fechamento na Folha e acabamos de ficar sabendo da morte do Michael Jackson, devido a uma parada respiratória. Eu nunca fui grande fã, mas adorava ver os espetáculos de seus shows e videoclipes. Dançava absurdamente bem, uma pessoa de um talento raro. Quem é que nunca parou para olhar (e tentou em casa mais tarde) seu clássico moon walking? Michael vendeu 750 milhões de discos e preparava-se para voltar as palcos, em uma nova turnê marcada para julho.

Com os Jackson Five, Michael teve uma fase linda, eu adoro várias das músicas deles. Depois mais clássicos, como “I Wanna Rock With You”, “Thriller”, “Beat It”, “Billie Jean”, entre milhares de outros hits. O disco “Off The Wall” é maravilhoso. Gosto de MJ até “Bad”. Depois ele pirou de vez. Essa coisa de querer ser branco e gastar muitos de seus milhões para, praticamente, servir de cobaia em tratamentos de clareamento de pele. E as plásticas no nariz? Eu (e acho que o resto do mundo) não entendo o que pode ter se passado na sua cabeça, o tamanho da loucura que habita um ser que quer se transformar desta maneira, a ponto de renegar e perder sua identidade, de colocar sua saúde em risco.

Sua loucura, infelizmente, chegou até seus filhos, que eram obrigados a andar encapotados por aí. O que essas crianças sabem sobre a vida real? Qual é o legado, além do que envolve um padrão de vida milionário, que ele deixa para seus dois filhos? Sempre ouvíamos que estava falido, sem dinheiro, com mil dívidas. Sua morte é uma judiação, no sentido de que assistimos Michael esperdiçar tudo o que tinha: raça, família, talento e todo o seu patrimônio.

Acho que ele é o ícone pop que se vai de maior repercussão desde John Lennon, em 1980. Eu vou me abster de colocar as fotos recentes, tão deprimentes. Vamos ficar só com a fase boa na memória.

Minhas músicas preferidas de Michael:

Don’t Stop ‘Til You Get Enough
Rock With You
Working Day And Night
Off The Wall
Girlfriend
It’s The Falling In Love
Thriller
Beat It
Billie Jean
Bad
I Just Can’t Stop Loving You
Heal the World
Black or White

NOVO FANZINE


trabalho de mel duarte

Adoro quando surgem novas iniciativas. Agora é a vez de Fabio Gurjão lançar seu fanzine FUR, que também é editado pela fotógrafa radicada em Londres Cássia Tabatini.

O zine, muito chique, é distribuído em SP, Londres, Nova York e Berlim, cidades onde Fabio tem amigos e contatos. Em São Paulo, foram distribuídos 300 exemplares, em formato jornal. Entre os colaboradores estão os amigos mais próximos de Fábio e pessoas já ligadas ao clã dele: Marcelo Krasilcic, Avaf, Paulo Bega, Filipe Jardim e Vanessa Monteiro, entre outros. O tema escolhido é Sexo e rende imagens babado. Espero que venha uma próxima edição e uma pesquisa bacana para ampliar o número de colaboradores

CAMAROTES

VISTA PARA A CAVALERA

VISTA PARA A NEON


Bom, eu gostei muuuito do desfile da Cavalera. Não só porque achei a coleção de fato uma das melhores dos últimso tempos da grife, mas porque ela me fez gostar mais de São Paulo.

Eu sempre amei SP, defendia com unhas e dentes. Mas de uns anos para cá tenho me cansado um pouco dessa loucura. Acho que meu desconforto aumentou depois que tive minha filha, já que é uma cidade tão barulhenta, complicada e também onde não me sinto nem um pouco segura. A gente abre os jornais e dá de cara com aquelas tragédias e histórias absurdas, tipo “assaltante joga vítima da ponte”, entre milhares de outras coisas horríveis. As pessoas se desgastam, brigam, xingam, matam, buzinam, correm, cansam, estressam. O trânsito é caótico, a gente não chega em lugar nenhum. Os bares, restaurantes, clubes, lanchonetes são eternamente lotados. Não há vagas. E também não há metrô. Não há silêncio. Tenho que confessar que tenho visto a cidade por esse ângulo, nada agradável.

Eu parei de olhar e aproveitar o lado bom da cidade. Andar a pé pelo bairro, ir na feirinha de orgânicos do parque da Água Branca, comer pastel na feira do bairro, acordar bem cedinho e comprar flores no Ceasa com o dia amanhecendo, escolher uma padaria nova para tomar café da manhã, passear na Vila Madalena, ir ao Museu do Ipiranga, pegar um metrô e descer no final da Paulista e voltar passeando, entrando no Itaú Cultural, Masp, Sesc, Sesi, Livraria Cultura, etc, ir assistir a um jogo de futebol, cinema e jantarzinho, são tantos os programas gostosos, mas que eu facilmente esqueço ou tenho preguiça quando estou no meio do furacão.

Pois então. Eu nunca havia andado no Minhocão de domingo. Só passo lá de carro mesmo e ainda reclamando. Fui surpreendida por um amor repentino por São Paulo quando estava sentada lá, no meio do Minhocão, naquele dia lindo, dividindo o que estava vendo, não só com as pessoas da moda, mas com as pessoas da cidade, que olhavam, curiosas, das janelas de seus apartamentos. O desfile representou a cidade pelos estilos das pessoas que desfilaram; pelas cores das bandeiras das torcidas de futebol, pela música que canta Sampa. Grafite, skate, ruivos, Racionais, Palmeiras, negros, esporte, Corínthias, japoneses, bandeiras, preto e branco, Tricolor, brancos, bebês, irmãos, amigos, esportistas de rua, ciclistas…

Enfim, fiquei me sentindo como na música do 365, que eu amava quando era adole. “Sem São Paulo / ô ô ô / O meu dono é a solidão / Diga sim que eu digo não…”


looks da neon

MELHOR DESFILE: Adorei Cavalera, Neon e Ronaldo Fraga. Neon fez uma coleção linda, bem Brasil & França. Os caftans são todos de morrer. Os maiôs também são ótimos, com boa modelagem e belas cores. Aliás a cartela de cores da marca está linda, bem forte como sempre, mas com pontos de neon, como o vestido amarelo da Barbara Berger.


Ronaldo Fraga também foi ótimo. Para mim é a coleção mais usável dele. Tem a mão do Ronaldo, o estilo dele, mas as proporções estão um pouco menos amplas, sem perder o conforto. Fez bem também o styling de Daniel Ueda.


sp moon faz show dentro da bienal em apresentação de marcelo sommer

MARCELO SOMMER / DO ESTILISTA: Pela primeira vez desde que começou a desfilar no evento, Sommer optou por não fazer um desfile. Fez um show com a banda Stop Play Moon, formada por Geanine Marques, Paulo Bega e Ricardo Athayde. Luciana Curtis, amiga íntima e musa de Marcelo, também participou, fazendo backing vocal e tocando pandeiro. Todos vestiam roupas da grife Do Estilista. Foi uma participação fofa e segundo ele mesmo disse, do tamanho do seu bolso. Por um lado deve ser bom poder se liberar de catering, casting, ateliê, equipe de beleza, cenografia, etc. O show aconteceu em um trailer dourado, dentro da Bienal. Poderia ter sido no parque, aberto para as pessoas também poderem ver.

DREAMY: Os vestidos de gaze de seda do Lino Villaventura. Primorosos, delicados e lindos.


caftan da neon
QUERO USAR: qualquer um dos caftans da Neon.

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