
O site style.com está fazendo uma série de entrevistas para discutir questões atuais da moda e seus próximos caminhos. Hoje eu li a entrevista com Cathy Horyn, editora de moda do “New York Times” e de seu blog, o “On the Runway”, conhecida por suas críticas ácidas durante os desfiles. Alguns estilistas a detestam tanto que até preferem quando ela não vai ao show ou então falam que ela é infeliz, mal amada, etc, aquela velha história que teima em não evoluir.
Eu acompanho Cathy porque acho ela muito inteligente, uma pessoa que vale a pena ser lida por suas opiniões claras e fortes. Aqui vai um teaser da entrevista, mas quem tiver facilidade com inglês, vale a pena ler tudo.
Hoje tudo é muito rápido. Como crítica de moda, você gostaria de ter mais tempo para pensar sobre determinadas coleções antes de escrever?
Sim. Sempre quando, no dia seguinte, eu me preparo para escrever no meu blog, eu vejo que poderia mudar um pouco a minha opinião, adicionar alguma coisa a mais ao meu texto. Um blog pessoal permite que você elabore mais, volte ao desfile. Em alguns casos vale a pena a ir ao showroom, tocar as roupas. Você não muda sua opinião completamente, mas a expande e ganha mais munição para argumentar com um desfile foi bom ou ruim.
Quando pensamos sobre as mudanças na indústria da moda, pensamos na ascensão da fast fashion. Como isso afetou o quadro?
Toda a noção de modelagem, que é a engenharia das roupas, perdeu-se nessa questão. A maioria das pessoas não tem nem ideia do que isso significa. Muita coisa na moda hoje tem stretch. Você veste rapidamente, coloca leggings… Então há muita gente que não liga ou não dá muito para coisas realmente bonitas. Todos querem peças que sejam simples o suficiente para usarem durante o dia ou no jantar com o marido. Talvez elas queiram uma boa bolsa ou um bom casaco. Mas esses desejos mais básicos não são bons para a inovação. Aliás, eles vão contra isso. Aí, as empresas que trabalham com inovação, como Balenciaga ou Prada, são copiadas instantaneamente pela Topshop ou qualquer outra loja.
Isso está matando a alta moda?
Acho que o que está matando tudo, agora que a economia está machucada, é que há muita gente dizendo “eu não preciso disso”, “não tenho dinheiro, não quero, não preciso, não posso gastar tudo isso”.
Você vê alguma coisa de positivo na febre da fast fashion?
Eu tento. Certamente gera empregos para pessoas em muitos países. Mas claro que também traz muito stress para o planeta. Muito consumo de materiais poluentes, por exemplo. A moda é uma grande poluidora. Todos os tratamentos, os tecidos com materiais diferentes feitos para esticar, esquentar, esfriar… Tudo isso faz mal para o planeta e para o seu corpo. A gente fala de garrafa de plástico, mas e toda essa química usada nas roupas? O seu corpo também acaba absorvendo isso.
Os desfiles ainda são válidos?
Acho que sim. Em uma conversa com Nick Knight sobre o futuro das revistas, desfiles e de muitas coisas, chegamos a conclusão de que ainda é o melhor meio para mostrar as roupas. Nomes como Alexander McQueen poderia fazer um supershow direcionado para a internet e as pessoas já estão fazendo isso. McQueen e Nick criaram algo muito especial para a internet, então você tem esse projeto incrível, que parece ser feito para as pessoas que estão na web. Muitos bloggers estão sendo aceitos agora e pessoas que não são profissionais também podem participar. Se um estilista pode fazer um desfile com o potencial criativo de um McQueen ou Marc Jacobs, então é válido.
* Essa entrevista aconteceu antes da morte do McQueen.
Você acha que há muitos desfiles na programação?
Você tem que ser seletiva. seria incrível poder fazer a cobertura de Milão e Paris somente pelos showrooms. Eu iria a um ou dois desfiles, aqueles que há razão para estar lá mesmo. Agora não há porque ir a muitos dos desfiles, então alguns eu marco hora no showroom. Já fui ao da Prada, Comme des Garçons, Balenciaga e sempre penso que é tão mais interessante escrever sobre roupas longe da passarela. É uma forma de focar nas coisas que são interessantes e ve-las de uma forma que o show não permite.
Estilistas encaram muitas exigências hoje, sejam comerciais ou criativas e têm que lançar muitas coleções por ano. você acha possível viver sob essa pressão?
Pode ser. Olhe para Lagerfeld. Ele sofre muita pressão, mas sua mais recente coleção de alta-costura foi maravilhosa. Mas há tantas grifes e empresas hoje que você olha e pergunta como elas irão sobreviver. O quanto ainda de negócios elas ainda conseguem fazer? Muitas das grifes mais antigas têm se esforçado, mas se perderam no meio do caminho ou não se adaptaram ou ficaram preguiçosos ou se envolveram com os parceiros errados. Mas você vê outras grifes, como Alexander Wang, que faz algo que você realmente que ver.