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AS OITO MUSAS DA LOVE

A próxima edição da revista “Love”, editada pela super Katie Grand, traz oito capas com oito modelos fotografadas nuas, na mesma posição. São: Natalia Vodianova, Naomi, Kate Moss, Amber Valetta, Lara Stone, Kristen, Daria Werbowy e Jeneil.

As imagens foram feitas pela dupla Mert & Marcus e são bonitas, mas poderiam ser mais, não é?

A Katie disse que queria mostrar que são corpos diferentes e tal, mas há tanta diferença assim? A única que tem um corpaço mesmo é a Naomi. E a Lara tem seios lindos. O resto, é meio que tudo igual, todas magrelinhas e com uma posição que, vamos falar, favorece bem a silhueta feminina, hein? Clica em cima para ver em tamanho maior.

WARPAINT

Depois de uma breve pausa (breve para mim, mas bem longa para um blog), retorno com uma dica muito legal de música, a banda Warpaint. Quem me mostrou foi o Paulo Bega em um dia que fui jantar lá com ele a a Babu. A gente viu alguns clipes, todos lindos, deste grupo de Los Angeles, só de meninas, também todas lindas. Elas nem lançaram o primeiro álbum ainda e já tem uma história rolando em torno delas.

O som às vezes é mais folk, outras mais atmosféricas e elaboradas, às vezes lembra Cocorosie. O visual delas é legal, quase sempre de branco, numa mistura de moda com do it yourself: camisetas rabiscadas, roupas cortadas, panos esvoaçantes. Dá para ver tudo nos clipes no You Tube, é uma estética bem bonita.

Minha preferida é “Billie Holiday”, especialmente no clipe de gravação caseira que elas fizeram.

Clique aqui para ver o clipe da música “Billie Holiday”

Clique aqui para ver o clipe da música “Elephants”

Clique aqui para ver o clipe de “Stars”

A GENTE NÃO GOSTA…

Quando tem desfile de manhã

Quando o desfile é na sala 3

Quando tem alguém sentado em nosso lugar e quando vc pede, delicadamente para ela se levantar, vem a resposta: “ai, querida, foi o assessor que me colocou aqui. resolve com ele”

Quando a gente se organiza e chega cedo e o desfile começa com uma hora de atraso

Quando a gente desencana porque vai atrasar mesmo, e quando chegamos a sala já está escura e sem lugares vazios

Quando o desfile é fraco

Quando é difícil de andar na mulitidão e sempre a pessoa que está logo a sua frente, pára de repente pra atender o celular ou procurar algo na bolsa, causando um efeito trombada

Quando senta uma celebridade ao seu lado

Ouvir as pessoas repetindo as mesmas perguntas de séculos para Costanza, Erika, Lilian e Gloria. Eita, mais criatividade, minha gente!

E A GENTE GOSTA…

De uma boa apresentação 

De ler o “Journal” diário, com as matérias impagáveis de Felipe Morozini e Marcelona

De ler o Alcino e a Vivian

De almoçar no MAM

De ferver com a trilha

De trocar ideias sobre as coleções

De fazer umas fofoquinhas de vez em quando, porque ninguém é de ferro

De ir aos lounges que servem comida boa

Quando o primeiro desfile é logo na sala 1, ao lado da entrada

Quando tem brinde bom na sala de desfile

Reclamar que estamos cansados

Quando acordamos e já é o último dia, como hoje!

A SAGA DE LARA

Ela chegou. Vou ver o que vai acontecer e já falo com vocês.

Vocês, no caso, éramos nós, as meninas que gostam de modelos, que aguardavam para entrevista Lara Stone, top e atual musa do gliteratti fashion. Já estávamos lá há meia-hora.

Quem fez o meio de campo foi a simpática Tania Otranto, dona da MKT MIX, assessoria da Forum, que por sua vez, contratou Lara para seu desfile.

Ela ainda vai me dar a resposta, gente. Vamos esperar mais um pouco.

Olha, não pode falar sobre alcoolismo nem sobre peso (Lara, por incrível que pareça, era chamada de gorda pelo povo da moda. E segundo algumas notas da imprensa, ela teria começado a beber para emagrecer até que foi parar no rehab).

Não pode fotografar. Nem filmar. De jeito nenhum, é um pedido do empresário.

Giovanniiiii, preciso do Daniel Hernandez aqui agora, diz para o Giovanni Bianco, diretor de arte do desfile.

Pessoal, calma, tá? Ela vai só fazer uma pele e daí a gente começa.

E olha, são apenas três perguntas por pessoa.

E aí, Tânia, que demora. Vai rolar ou não?

Vai, mas calma, estou tentando de tudo!

Ela está acabando de maquiar.

Ela vai se trocar.

Ela foi ao banheiro.

E duas horas mais tarde (sério, alguém acredita que eu esperei DUAS HORAS para falar com uma modelo??):

Vocês terão que entrar me duplas. Só um pergunta e escreve. O outro fica mudo. Pronto, vocês podem combinar quem vai com quem.

Mais uns 20 minutos se passam.

Pronto. Camila, pode entrar. Não vai perguntar sobre alcoolismo, hein? Camila, olha lá, hein?

Entrei com minha simpática dupla, fiz três perguntas e saí. Acho que fiquei menos de cinco minutos lá dentro, depois de quatro barreiras para chegar lá.

Quando saí do camarim, quase não consigo passar pela porta, tamanha a quantidade de gente se espremendo e se empurrando para falar com ela.

Gente, no que se transformou o assédio a uma modelo?

A Heloísa Tolipã, do jornal do Brasil, me pergunta: “você vai ganhar o prêmio Pulitzer com essa pauta?”

I don´t think so!

Agora, vamos ao básico:

Se ela é bonita? Ela tem um estilo. Mas a maquiagem apagada a deixou ainda mais pálida, nada parecido com a Brigitte Bardot que vemos acima.

Se ela é legal? Ela é uma pessoa normal. Educada, olha no olho, se comunica bem. É um pouco fria também.

Se ela é deslumbrada? Nem um pouco. Tipo what the fuss is all about?

Esse post é dedicado aos meus colegas que ficaram esperando comigo para entrar na sala mais guardada da Bienal.

O artista Nelson Leirner estava na primeira fila do desfile da Osklen. Eu nunca tinha visto ele em desfiles e achei curioso. É que a Osklen fez um trabalho forte com feltro e Leiner também trabalhou o tecido em camisetas gigantes e instalações, mas nos anos 70. Hoje de manhã, no Sesc Pompéia, ele estava no desfile da Maria Bonita. Daí eu fui lá conversar com ele um pouquinho.

“Meu trabalho tem uma relação muito grande com o tecido, mas eu uso mais uma roupa mais popular e não tão elaborada”, ele me disse. “Na verdade, eu me aproprio da moda para fazer o meu trabalho”.

Em uma exposição recente ele usou vestidos de noiva para fazer uma obra, “mas daqueles que já são de terceira mão”, brinca.

Nelson gostou bastante da coleção da Osklen. “Achei que ele usou muito bem o tecido e fez um tipo de roupa que poderia estar em uma passarela ou em uma galeria. Era só escolher onde colocar”.

Quanto a Maria Bonita, Nelson acompanha de perto o trabalho da estilista Danielle Jenssen. “Gosto de tudo o que ela faz. E gostei muito dessa idéia de se inspirar no trabalho da Lina Bo Bardi, que foi uma pessoa próxima minha. Com certeza veremos coisas bonitas no desfile”.

E ele acertou.

ACABOU!

O Fashion Rio termina com alto-astral. A estilista Alessa fez seu agradecimento divertido e maluquete, já tradicional aqui no Rio.

Como o lounge da Nívea já vai fechar, vou deixar para colocar mais fotos amanhã, da minha casinha que estou com tantas saudades!

E a partir de domingo, migramos para SPFW, com o desfile da Cavalera na Galeria do Rock.

MINIBREAK

De volta pro lounge da Nívea por um minuto, tomar uma água e refrescar do calor para seguir para o próximo desfile, da Andrea Marques, que acho que será bom. No meio de tanta gente andando para lá e para cá, ter um espacinho onde se refugiar pode valer ouro!

ana claudia e daiane em dois cabelos

Está um problema os atrasos dos desfiles no Fashion Rio. Mesmo o primeiro do dia, que, aparentemente, não tem motivos para atrasar, começa com, no mínimo, 40 minutos de atraso. As portas abrem no horário que está marcado para começar.

Bom, um dos motivos é o cruzamento entre modelos, que acabam um desfile e têm logo que correr para o próximo. O Fashion Rio fechou com um número de modelos e todas as marcas usam praticamente as mesmas modelos. O que acontece é que para uma marca elas têm os cabelos frisados e super armados, com o rosto de maquiagem pesada. Na marca seguinte, a beleza é cabelos lisos e rosto limpo. Por mais reforço que a equipe de cabelo e make ganhe, os camarins viram o retrato do caos quando 25 modelos chegam juntas e têm que ser arrumadas em 25 minutos.

Ainda tem outra questão, infelizmente pouco nobre. A produção do Fashion Business, que antes também dirigia o Fashion Rio, está com um evento paralelo, com alguns desfiles por dia. E eles contrataram boas modelos com exclusividade, que não podem pisar no Fashion Rio. Gente, eu sei que o ego gigante impossibilita um trabalho maior, de parceria, mas um ficar pisando no calo do outro, na mesma semana, para o mesmo público, para a mesma imprensa internacional, não faz sentido e é feio pra caramba.

Em vez de a gente ter um evento impecável, temos dois visando um mesmo destino.

joana, em foto de scott schuman

A visita do sartorialist Scott Schumann e de sua namorada, a também blogueira hip Garance Doré, ao Fashion Rio rendeu um artigo no “Independent” essa semana. Sendo Scott um dos blogueiros mais influentes do mundo, é normal que qualquer coisa que fizer ganhe grande repercussão.

Agora, tem uma coisa: eu já ouvi um monte de gente dizer que as pessoas que ele fotografa são “montadas” por ele, ou seja, as fotos de gente “normal” nas ruas estão virando pequenos editoriais de moda. No caso da menina Joana, que ele fotografou no Rio, dizem que aquela bolsa da Hermès não era dela…

Bom, voltando ao texto, que entra com a vinheta Relax News, ”o Rio está se colocando no mapa da moda como uma força a ser considerada”.

Um ditado irônico publicado no jornal diz que o Brasil é a terra do futuro e sempre será, mas “ao menos no que diz respeito à moda, o país está fazendo eventos high-profile com figuras internacionais prestando bastante atenção”.

O artigo continua falando sobre o Fashion Rocks e também sobre o Supermodel of the World, que escolheu São Paulo para sediar sua final, que terá como hostess a modelo Chanel Iman.

chanel iman

O texto diz que, apesar do Brasil ser um pólo de supermodelos e do buzz que a imprensa internacional está fazendo por aqui, o país ainda tem que achar uma forma de atrair designers internacionais para ser levado a sério. “O schedule do Fashion Rio continua puramente nacional”.

Agora eu me pergunto: será mesmo? Quem a gente tem que incluir no line-up para ser levado a sério? Marc Jacobs? Ou então algum dos novos hypes, como Phillip Lim ou Alex Wang?

O Rio tem essa exuberância toda, essa beleza, o estilo mais gostoso do mundo, mas os estilistas do Fashion Rio passam longe de tudo isso, que é exatamente o que a imprensa internacional espera ver. O Godfrey Deeny, do Financial Times, me falou: “falta um ‘brazilian twist’ às marcas daqui, que continuam olhando muito para a Europa”.

desfiles de herchcovitch e maria bonita

De quem eles gostam? Osklen, Alexandre Herchcovitch, Maria Bonita e Neon. Todas desfilam em São Paulo, que eu acho que tem total capacidade para se tornar uma capital influente na moda. Mas para isso acontecer, aos olhos dos jornalistas estrangeiros, seria preciso que as outras dezenas de grifes que desfilam na SPFW tivessem a mesma habilidade das marcas acima de criarem coleções autorais e globais, com o tal do brazilian twist.

neon e osklen

Mas por outro lado, o que aconteceria com o nosso mercado, tão acostumado a seguir as tendências europeias, a obedecer as ordens dos bureaus de pesquisas? Acho que se um dia a gente chegar e falar: “não tem mais tendência”, o mercado entra em colapso.

Bom, quem pode ajudar com essas respostas é o Paulo Borges.

Ficam como dicas as parcerias com as outras semanas de moda, intercâmbio de showrooms, e convites específicos a estilistas importantes para fazer algo especial durante o nosso evento .

Mas, sinceramente, lendo agora sobre o terremoto no Haiti e vendo tanta gente em aflição e medo, esse post parece sem importância.

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